Mais uma vez me deparo com problemas na organização do projeto do estádio do Morumbi para a Copa de 2014.
Será que é só aqui que tem problemas? Não vejo notícias assim em nenhum outro estádio.
Abaixo segue matéria publicada ontem no site oficial da Copa de 2014. (http://www.copa2014.org.br/noticias/952/O+IMPASSES+EM+RELACAO+AO+MORUMBI.html)
Por que dos impasses em relação ao Morumbi?
O comentário de Jorge Hori, da Inteligência Estratégica
Todas as cidades escolhidas como sede de jogos da Copa, levaram os seus projetos para o Comitê Organizador da Copa 2014. Receberam algumas sugestões de alterações, sem maiores problemas. Exceção, mais uma vez, com São Paulo e com o Morumbi.
Ainda não foram resolvidos alguns dos impasses, refletindo implicâncias de um lado e teimosia de outro. A FIFA insiste na infraestrutura para hospitalidade dos seus patrocinadores e para as transmissões de TV.
O São Paulo resiste, por falta de entendimento ou porque não quer financiar essa parte, repassando para o Poder Público.
O problema não está apenas no atendimento às exigências da FIFA, para a Copa 2014, mas o que fazer depois?
Para a Copa será necessário todo um aparato de infraestrutura para as televisões do mundo. Depois, apenas uma parte será utilizada para a mesma finalidade.
O estádio para a abertura deverá ter toda uma infraestrutura para o atendimento do público VIP e VVIP, que são os convidados da FIFA e dos seus patrocinadores. O que fazer depois?
Seria o caso de empreender um condomínio de alto padrão (AAA), com partes residenciais, hotelaria, comércio e serviços junto ao estádio? As exigências interestádio parecem ter sido resolvidas ou equacionadas. Faltam as extra estádio, permanecendo o impasse em relação ao estacionamento, quando a solução mais adequada já existe.
O local mais adequado para o estacionamento, com 4.000 vagas é junto à Estação Vila Sônia do Metrô. Ou junto à Estação Morumbi. Nesse caso, com menores áreas disponíveis. Será um estacionamento de transferência, a cargo da concessionária da linha, a Via Quatro, uma subsidiária da CCR, dessa forma, uma empresa do grupo Camargo Correa.
A Camargo Correa seria a principal parceira do São Paulo FC na reforma do estádio do Morumbi, sendo a construtora encarregada das obras. Ela tem interesse na construção também do estacionamento.
A contratação dela para as obras do Estádio independem de licitação, uma vez que se trata de uma relação duplamente privada. Já o estacionamento, proposto, por ser em via pública dependerá de licitação.
A Via Quatro, como concessionária da linha 4 do Metrô (Vila Sônia – Luz), dentro de uma PPP (parceria público-privada) é responsável pelo suprimento dos trens e sistema de controle, já em andamento, e será responsável pela operação, com o direito à cobrança das tarifas.
Como exploradora dos serviços, tem grande interesse no aumento da demanda, para o qual deverá contar com um Terminal de ônibus junto à Estação Vila Sônia, e a exploração de um corredor de ônibus, até o Taboão.
Uma importante demanda será representada pelos moradores de todo o eixo da Giovanni Gronchi, que poderão chegar de carro até a Estação Vila Sônia ou a Morumbi, em regime “park-and-ride” (ou seja, com o estacionamento do veículo) ou “Kiss-and-ride”, ou seja, com uma carona e “beiinhos tchau-tchau”.
Para atender ao “park-and-ride” deveria empreender ou promover a construção de grandes estacionamentos de 3 a 4 mil vagas, podendo se multiplicadas em diversos estabelecimentos. O acesso das áreas do Jardim Sul ou do Portal do Morumbi, à estação Vila Sônia, envolve a passagem por bairros residenciais, sem uma via estrutural. A alternativa estaria na rota Guilherme Dumont Villares e Francisco Morato, com a concorrência do fluxo vindo do Taboão da Serra e cidades além.
Já um estacionamento junto á estação Morumbi teria o acesso pelas Avenidas Giovanni Gronchi e João Jorge Saad.
Tanto num caso, como em outro, não há terrenos desocupados e disponíveis, requerendo sempre desapropriações.
No caso da Vila Sônia poderiam ser utilizados terrenos já desapropriados pelos Metrô, funcionando como canteiros de obras que poderiam ficar liberados, depois de concluída a obra civil. A praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao Estádio do Morumbi, é um ponto de conexão dos fluxos vindo pela Avenida Morumbi e Giovanni Gronchi, podendo comportar um estacionamento de conexão que atenderia também ao Estádio, nos dias de jogos. No entanto, está a cerca de 1,5 km da estação Morumbi, do Metrô.”
Não é uma grande distância para os espectadores de jogos, mas excessiva para o “park-and-ride”.
Uma alternativa seria um sistema rápido o que está previsto como um monotrilho entre o Aeroporto de Congonhas e a estação Vila Sônia. Poderia então haver uma estação junto ao Estádio.
Ademais é preciso considerar a questão tarifária, vis a vis a viabilidade econômica.
O modelo atual de uma tarifa de R$ 7,50, para 12 horas, com direito a duas passagens de metrô (ida e volta) não deixa margem suficiente, nem para um como para outro.
A questão é que quase dois anos após a escolha do Brasil como sede da Copa, sendo São Paulo uma das cidades indispensáveis como sede de jogos, insiste-se em soluções inviáveis para o estacionamento. Sem a busca de alternativas mais adequadas.