Dec
2009

Entrevista com o Diego

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Como tenho acompanhado o site da Fifa.com nesses dias por causa do Mundial de Clubes, encontrei essa excelente entrevista com o jogador brasileiro que vem arrebentando na Juve, o Diego.

Particularmente acho o Diego um baita jogador, que deveria estar na seleção para esta Copa de 2010. Gostaria muito de vê-lo jogar no São Paulo, não tenho rancor algum com o atleta por aquele episódio em que ele comemorou seu gol em cima do escudo do tricolor. Apesar dele ser tricolor, acho muito difícil de um dia contar com o atleta no São Paulo.

Diego segue na briga

diegoPara um jogador que já foi campeão em países da tradição de Brasil e Alemanha e atua hoje na Itália pela Juventus, pode parecer exagero falar que a temporada 2009/10 sirva de afirmação. Mas o meia Diego Ribas da Cunha, aos 24 anos, ainda se vê na luta por reconhecimento maior – ainda mais quando os assuntos são a busca por uma cobiçada vaga no meio-campo da Seleção e a conquista de títulos com uma potência europeia.

Aparentemente, o primeiro semestre de atividades em Turim já parece dar resultados nessa trilha e engordar o currículo de Diego, que entrou na lista dos melhores do ano eleitos por técnicos e capitães des seleções das federações associadas da FIFA -embora não tenha chegado entre os seletos cinco finalistas -, além de concorrer à equipe ideal da temporada em pleito com os membros da FIFPro.

Durante a caça à Internazionale no Campeonato Italiano e a tentativa de mostrar serviço ao técnico Dunga em sua temporada inicial no Calcio, o meia brasileiro reservou um espaço em sua agenda para esta conversa com o FIFA.com. Confira a entrevista:

Diego, você já está há alguns meses na Juventus e já deve ter percebido algumas diferenças entre o futebol italiano e o alemão. Quais você destacaria como as mais marcantes?
O que sinto de mais diferente é a equipe: sair do Werder Bremen para a Juventus, que é considerada uma equipe grande. Quando os outros times nos enfrentam, você sente que se depara com uma organização tática mais forte, rivais mais fechados. Os gramados também são diferentes; acho que não são tão bons quanto os da Alemanha.

Já se sente plenamente adaptado à Juventus e à Itália?
Estou me sentindo muito bem até agora. A recepção que tive foi fantástica, e é muito legal viver o dia-a-dia da Juve. É um clube grandíssimo; estou muito feliz. É claro que, pelo clube que somos, ainda devemos melhorar um pouco. Uma equipe como esta tem de vencer sempre. Nosso objetivo é estar em primeiro sempre.

Desde que chegou à Itália, qual foi o jogador que mais chamou sua atenção?
(resposta imediata) O Buffon. Não só como jogador, mas também como homem. É uma figura excepcional. É um prazer fazer parte de um grupo com um homem desses, de muito caráter. O que impressiona é que ele está sempre preocupado com tudo: com a parte tática, com todos os detalhes.

A Internazionale de Milão é o rival a ser batido, certo? Você vê a Juve em condições de brigar pelo titulo?
É uma missão possível. Basta compararmos a qualidade dos jogadores que estão no nosso elenco. Eles têm muita qualidade no time deles, mas vejo as mesmas na Juventus. Temos de correr atrás do prejuízo, claro, já que eles perdem poucos pontos na competição. Mas temos um treinador, Ciro Ferrara, que, apesar de estar começando na carreira, é ótimo. Ele sabe tudo sobre o Calcio. Então, nos vejo em perfeitas condições de lutar pelo título.

A Juventus não é uma equipe com tradição recente de contratar muitos brasileiros, como é o caso de Roma, Milan ou Inter. Isso faz com que você se sinta mais orgulhoso pelo interesse?
Para mim, particularmente, ser brasileiro é motivo de orgulho sempre, e poder estar aqui representando o país me deixa contente, sim. Mas nunca falaram nada comigo, da parte da diretoria. Hoje somos eu, o Felipe (Melo, volante na seleção brasileira) e o Amauri, e somos muito bem acolhidos.

Você foi incluído na primeira lista para Jogador do Ano da FIFA (embora não seja um dos cinco finalistas) e foi indicado por seus companheiros da FIFPro para concorrer a uma vaga na seleção do ano. Como recebeu essas notícias?
Foi muito gratificante. Por mais que a gente saiba da possibilidade, quando chega uma informação dessas, saber que estou sendo respeitado é algo que me deixa muito satisfeito, com uma sensação de objetivo alcançado.

Com relação às suas chances de ir à próxima Copa do Mundo da FIFA, o fato de jogar num gigante como a Juve e de ter aparecido nessas listas é uma vantagem?
O Dunga sabe das minhas qualidades, conhece meu potencial. Claro que tudo que fizer na Juventus pode repercutir mais do que no passado, mas estou seguro de que ele sabe o que tenho para oferecer.

Aliás, você acha que teve chances o suficiente para mostrar seu serviço na Seleção?
Olha, acho que procurei aproveitar da melhor forma possível todas as vezes que tive uma chance, como na Olimpíada (Pequim 2008, na qual ganhou a medalha de bronze), apesar de não ter saído o título. Nunca fiquei com a consciência pesada. Acho que tive passagens positivas na Seleção, trabalhando um bom tempo com o Parreira e agora com o Dunga. Para entrar na Seleção, você tem sempre de trabalhar muito, com seriedade, e esperar para ver o que acontece.

Você é um jogador com características muito peculiares para os dias de hoje. Não é fácil ver um meia-armador tradicional por aí. De modo geral, acha que a posição do camisa 10 pode estar em vias de extinção? Teme num futuro ter que jogar de ponta-de-lança ou de atacante?
(risos) Acho que não. Existe sempre um espaço, principalmente quando você está bem, em boa forma física e técnica. Essa posição jamais vai ficar em extinção. Cada jogador tem sempre sua chance. Hoje, quem quiser atuar nessa função tem de pensar rápido, dominando a bola e já sabendo o que precisa fazer na jogada. Você tem de ter um bom domínio e buscar os espaços criados pelos atacantes; perceber a movimentação deles, tanto para criar como para definir.

Em quem você se espelhou para desenvolver essa forma de jogar, como um autêntico armador? E hoje, quais os jogadores que você admira?
Assisti a muitos jogos desde pequeno, e há vários jogadores que admirei, como o Raí e o Ronaldo. Mas nunca usei um jogador como exemplo para minha carreira, para meu estilo de jogo. Sempre procurei desenvolver meu próprio estilo, treinando bastante e me aprimorando. Quanto a hoje, são vários bons jogadores, não só na minha posição, mas posso dizer que o Messi é quem vive realmente uma grande fase.

Mar
2009

O poderoso Juvenal Juvêncio…

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 Excelente entrevista com o presidente do São Paulo, retirada do blog do jornalista Cosme Rímoli. Para conhecer mais sobre o blog do jornalista, clique aqui.

O poderoso Juvenal Juvêncio…

Aos 73 anos, administra problemas de ‘grande magnitude’, como preparar o Morumbi para a abertura da Copa do Mundo de 2014, ou supresa, até fazer a final.E questões ‘pequenas, do dia-a-dia’, como o descontentamento de Dagoberto com a reserva.

Mostrou sua alegria com a punição ao presidente Marco Polo del Nero que ousou ‘tentar manchar a conquista do Brasileiro de 2008′.

Um dos homens mais poderosos do futebol brasileiro falou hoje por uma hora com exclusividade ao blog.

Juvenal: o que significa para o São Paulo o Morumbi abrir a Copa do Mundo de 2014?

A consolidação da marca do São Paulo no mundo inteiro. Iremos mostrar a nossa força, a nossa capacidade de ter um estádio particular perfeito, para ser observado pelo planeta todo. Será um marco histórico, um fato cultural. Mostrará o poder de um clube bem administrado. Dará orgulho aos seus sócios, aos seus torcedores, a uma cidade, a um país. Chega a ser intangível o benefício que a Copa do Mundo trará para o São Paulo. Vamos mostra a pujança do nosso clube ao mundo. Mesmo que não for adepto do São Paulo, mas for brasileiro, terá orgulho do que faremos no Mundial.

Há muitas pessoas dizendo que o Morumbi terá de sofrer uma profunda reformulação. Que está muito antiquado para os tempos modernos… Pontos cegos…

(bastante irritado) Há muita ignorância por parte das pessoas, principalmente os jornalistas! Ninguém leu o caderno de encargos da Fifa! Para nós ele virou a nossa Bíblia. Sabemos cada item e já o discutimos com as autoridades da própria Fifa, do governo federal, estadual e municipal. O Morumbi está 85% adequado já para a Copa. Temos de fazer 15% de obras para que possa mandar uma partida do Mundial. Mas iremos fazer muito mais. Ontem mesmo tivemos uma reunião noturna no São Paulo muito importante em relação aos pontos cegos, por exemplo.

Presidente, os pontos cegos nasceram por causa da selvageria das torcidas?

Sim. Infelizmente é isso mesmo. Nós tentamos colocar primeiro grades separando os torcedores. Só que eles conseguiam se chutar, se cutucar, pelos vãos. Tivemos, então, de colocar placas sólidas de metais. Nos pareceu a única solução. Só que quem senta atrás dessas placas não enxerga mesmo parte do estádio. Resolvemos ontem mudar para vidros temperados, os mais fortes que conseguirmos achar. Porque alguns, à prova de bala, foram rompidos em um clássico (Corinthians e São Paulo). Infelizmente, temos de conviver com esse comportamento selvagem dos torcedores. Mas nos adequaremos. E também lhe digo que sei que o presidente Lula irá tornar a legislação mais dura para essas pessoas que se dizem torcedoras. Isso vai ajudar para quem possui estádios no Brasil. Ter um estádio de primeiro mundo como o nosso dá trabalho, mas é um privilégio tê-lo.

Não vamos perder o foco: o Morumbi abre a Copa e o Maracanã fará a final?

Olha, não está nada definido ainda. São muitos interesses, muita pressão, lobby político, envolve o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Vi anúncios em jornais falando da força do Pantanal para o Mundial. Que me desculpe o Pantanal, mas  não dá para cogitar a hipótese de abrir um Mundial no Pantanal. Quanto ao Maracanã tenho a tristeza em lhe falar que a situação dele é muito complicada. Há um plano de privatização envolvendo Flamengo, Fluminense e CBF. Só que este processo de privatização é complicado. Não é simples. Já li que demorará todo o ano de 2009. E o miolo do Maracanã precisa ser demolido. E depois reconstruído. O tempo será curto. A Copa do Mundo não é brincadeira. Se a situação permanecer assim, vejo a possibilidade até de o Morumbi abrir e sediar a final da Copa do Mundo. É uma possiblidade real, concreta. Escreva o que estou falando.

Mas e Minas Gerais do governador Aécio? Ele já está em campanha para levar a abertura para lá…

Já há pressão de todo o lado. Só que há muita gente equivocada. Não é a Fifa daqui que vai decidir. Será a Fifa verdadeira, a Fifa de fora. E aí irão contar a rede hospitalar, aeroportos, infraestrutura viária. Nós temos Rodoanel. Metrô, hotéis. Quantos hotéis existem em Belo Horizonte para suportar um evento como a Copa do Mundo. Todo mundo tem o direito de brigar pelos seus interesses. Mas conhecendo a fundo os critérios que a Fifa usará para escolher os locais dos jogos, eu fico mais do que confiante. Não sou contra ninguém. Apenas sei o que o São Paulo e o Morumbi têm a oferecer. E para as pessoas não pensarem que estou falando por mim, falo por São Paulo estado, cidade. O governador Serra e o prefeito Kassab estão profundamente envolvidos no projeto Morumbi para a Copa de 2014.

 A falta de estacionamento é o maior problema do Morumbi?

Isso é que pessoas leigas falam. É uma grande bobagem. Os estádios do Japão, da Alemanha não possuem gigantescos estacionamentos. O problema é grã fino brasileiro não gosta de andar de metrô. Mas vai andar se quiser ver jogos da Copa do Mundo no Morumbi. Se os ricos da Europa andam de metrô, os daqui vão aprender a comprar e colocar os bilhetes nas catracas. A Fifa exige uma estação de metro a 1.500 metros do estádio. Até 2012 estará terminada a estação São Paulo-Morumbi. Ela ficará a 1.160 metros do estádio. Tudo estará dentro da lei. Você falou em problema. Vou revelar um que ninguém sabe. Teremos e vamos construir um centro de imprensa para cinco mil jornalistas do mundo inteiro no Morumbi. E o que farei com esse espaço assim que a Copa acabar? Isso sim é problema. Estacionamento eu irei construir para dar mais conforto aos torcedores, mas o metrô resolverá o problema de transporte.

O senhor está elitizando o Morumbi com camarotes luxuosos, biblioteca, bar temático. E os torcedores pobres que torcem para o São Paulo?

Eu sei que represento pessoas cuja grande e,talvez, única alegria é ver o São Paulo em campo. O Morumbi sempre terá setores para elas. Sempre. Mas eu não posso fechar os olhos para que o futebol e o mundo mudaram. As pessoas que podem querem e estão dispostas a pagar pelo conforto. Pense em um teatro. As pessoas pagam mais e sabem que terão o prazer de assistir ao espetáculo confortavelmente. Essa tendência é irreversível. Traz lucro ao clube e atende à uma reivindicação de uma camada que pode pagar por esse luxo. Até pode ser elitização. Mas jamais vamos fechar os olhos para os nossos torcedores sem poder aquisitivo. O São Paulo é de todos.

Por falar nisso, o clube está preparado para o Corinthians não jogar mais no Morumbi enquanto o Andres Sanches for presidente?

Nós temos as nossas fontes de renda. Temos os nossos shows. As nossas partidas. Não dependemos de nenhuma equipe de fora. O que posso dizer sobre o caso é que tudo que fica na base da semântica, da conversa, da emoção, precisa ser analisada com calma. Não acredito em uma briga definitiva com o Corinthians. Isso não é bom para ninguém. Vou lembrar uma questão muito mais profunda. Sabe quem são os parceiros que brigam pelas mesmas coisas no Clube dos 13? São Paulo, Flamengo e Corinthians. Estamos juntos. Eu sei disso, o Andres sabe. Enfim, acredito que há questões menores que perdem a importância diante das maiores. E digo mais: o Palmeiras vai se aproximar muito mais do São Paulo e do Corinthians por causa do novo presidente Belluzzo que é de outro nível. O antigo presidente Afonso Della Monica não se envolvia em questões fundamentais para os clubes paulistas. Essa briga entre nós e o Corinthians é uma situação pequena que será resolvida com bom senso.

Por falar em briga, o senhor está satisfeito com a punição ao presidente da FPF, Marco Polo del Nero?

Sim. Essa pessoa quis tirar o brilho da conquista do São Paulo. Levantou questionamentos sem fundamento na decisão do Campeonato Brasileiro. Tinha de ser punida exemplarmente. Foi sensacional porque mostrou a transparência e a força da justiça no Brasil. Foi o primeiro dirigente realmente com poder punido. Não foi uma vitória do São Paulo foi da justiça. Agora, eu soube que ele está indo todos os dias para o prédio da Federação Paulista de Futebol. Só que sua assinatura por noventa dias não vale nada. Ele não pode despachar. Ele vai e manda outras pessoas assinarem. Soube também que acompanhou a reunião entre dirigentes do Palmeiras e do Corinthians em relação ao clássico de Presidente Prudente. Achei normal. Como conselheiro do Palmeiras ele tinha de estar lá para saber o que aconteceria com o seu clube.

De uma forma direta: explique a diferença para o presidente do São Paulo a diferença entre Libertadores e Campeonato Paulista…

Vejo como qualquer torcedor de arquibancada do São Paulo: a Libertadores é a prioridade. Todos têm a minha ordem para colocá-la sempre em primeiro plano. Sempre. O São Paulo tem objetivos maiores, buscar o que o mundo apresenta como maior desafio. E nós já não ganhamos a Libertadores faz tempo. É simples: se de para ganhar o Paulista, a gente ganha. Mas conquista para um clube como o São Paulo é a Libertadores, o Mundial, o Brasileiro. Nós contabilizamos essas conquistas. E não escondemos isso de ninguém.

Por falar em problemas, como vai agir em relação ao Dagoberto que está insatisfeito com a reserva?

Sei do caso Dagoberto. Mas é um problema interno. Só lhe digo que no São Paulo não há espaço para jogadores insatisfeitos, descontentes. O Dagoberto vai voltar a ficar contente. O jogador quando vem para o São Paulo sabe que a instituição é mais importante do que o desejo pessoal de qualquer um. Vale para ele e para qualquer pessoa. O Muricy tem toda a minha confiança e sabe como agir. Ninguém tem o direito de se achar mais importante ou no direito de atrapalhar o grupo. Ninguém. O São Paulo é maior do que todos nós.

Qual o prazer de ser presidente do São Paulo?

Saber que comando uma das maiores instituições esportivas do mundo. Mas que cinco minutos depois que o jogo termina, o prazer vira preocupação. O meu clube é importante demais. E exige demais de quem for o seu presidente para mantê-lo assim. Eu quero e o clube exige o máximo, o melhor para o São Paulo. E isso não é fácil em um mundo em crise.

 Você ainda será presidente do São Paulo quando acontecer o primeiro jogo da Copa de 2014? (Seu mandato termina em 2011.) E onde estará?

Bom…Só sei que serei mais um são paulino na arquibancada do Morumbi. E orgulhoso do estádio moderno, confortável que mostraremos ao mundo. O Morumbi será referência para o mundo. Se serei presidente ou não, não sei dizer… Ah..deixa isso para lá, Cosme…