Como tenho acompanhado o site da Fifa.com nesses dias por causa do Mundial de Clubes, encontrei essa excelente entrevista com o jogador brasileiro que vem arrebentando na Juve, o Diego.
Particularmente acho o Diego um baita jogador, que deveria estar na seleção para esta Copa de 2010. Gostaria muito de vê-lo jogar no São Paulo, não tenho rancor algum com o atleta por aquele episódio em que ele comemorou seu gol em cima do escudo do tricolor. Apesar dele ser tricolor, acho muito difícil de um dia contar com o atleta no São Paulo.
Diego segue na briga
Para um jogador que já foi campeão em países da tradição de Brasil e Alemanha e atua hoje na Itália pela Juventus, pode parecer exagero falar que a temporada 2009/10 sirva de afirmação. Mas o meia Diego Ribas da Cunha, aos 24 anos, ainda se vê na luta por reconhecimento maior – ainda mais quando os assuntos são a busca por uma cobiçada vaga no meio-campo da Seleção e a conquista de títulos com uma potência europeia.
Aparentemente, o primeiro semestre de atividades em Turim já parece dar resultados nessa trilha e engordar o currículo de Diego, que entrou na lista dos melhores do ano eleitos por técnicos e capitães des seleções das federações associadas da FIFA -embora não tenha chegado entre os seletos cinco finalistas -, além de concorrer à equipe ideal da temporada em pleito com os membros da FIFPro.
Durante a caça à Internazionale no Campeonato Italiano e a tentativa de mostrar serviço ao técnico Dunga em sua temporada inicial no Calcio, o meia brasileiro reservou um espaço em sua agenda para esta conversa com o FIFA.com. Confira a entrevista:
Diego, você já está há alguns meses na Juventus e já deve ter percebido algumas diferenças entre o futebol italiano e o alemão. Quais você destacaria como as mais marcantes?
O que sinto de mais diferente é a equipe: sair do Werder Bremen para a Juventus, que é considerada uma equipe grande. Quando os outros times nos enfrentam, você sente que se depara com uma organização tática mais forte, rivais mais fechados. Os gramados também são diferentes; acho que não são tão bons quanto os da Alemanha.
Já se sente plenamente adaptado à Juventus e à Itália?
Estou me sentindo muito bem até agora. A recepção que tive foi fantástica, e é muito legal viver o dia-a-dia da Juve. É um clube grandíssimo; estou muito feliz. É claro que, pelo clube que somos, ainda devemos melhorar um pouco. Uma equipe como esta tem de vencer sempre. Nosso objetivo é estar em primeiro sempre.
Desde que chegou à Itália, qual foi o jogador que mais chamou sua atenção?
(resposta imediata) O Buffon. Não só como jogador, mas também como homem. É uma figura excepcional. É um prazer fazer parte de um grupo com um homem desses, de muito caráter. O que impressiona é que ele está sempre preocupado com tudo: com a parte tática, com todos os detalhes.
A Internazionale de Milão é o rival a ser batido, certo? Você vê a Juve em condições de brigar pelo titulo?
É uma missão possível. Basta compararmos a qualidade dos jogadores que estão no nosso elenco. Eles têm muita qualidade no time deles, mas vejo as mesmas na Juventus. Temos de correr atrás do prejuízo, claro, já que eles perdem poucos pontos na competição. Mas temos um treinador, Ciro Ferrara, que, apesar de estar começando na carreira, é ótimo. Ele sabe tudo sobre o Calcio. Então, nos vejo em perfeitas condições de lutar pelo título.
A Juventus não é uma equipe com tradição recente de contratar muitos brasileiros, como é o caso de Roma, Milan ou Inter. Isso faz com que você se sinta mais orgulhoso pelo interesse?
Para mim, particularmente, ser brasileiro é motivo de orgulho sempre, e poder estar aqui representando o país me deixa contente, sim. Mas nunca falaram nada comigo, da parte da diretoria. Hoje somos eu, o Felipe (Melo, volante na seleção brasileira) e o Amauri, e somos muito bem acolhidos.
Você foi incluído na primeira lista para Jogador do Ano da FIFA (embora não seja um dos cinco finalistas) e foi indicado por seus companheiros da FIFPro para concorrer a uma vaga na seleção do ano. Como recebeu essas notícias?
Foi muito gratificante. Por mais que a gente saiba da possibilidade, quando chega uma informação dessas, saber que estou sendo respeitado é algo que me deixa muito satisfeito, com uma sensação de objetivo alcançado.
Com relação às suas chances de ir à próxima Copa do Mundo da FIFA, o fato de jogar num gigante como a Juve e de ter aparecido nessas listas é uma vantagem?
O Dunga sabe das minhas qualidades, conhece meu potencial. Claro que tudo que fizer na Juventus pode repercutir mais do que no passado, mas estou seguro de que ele sabe o que tenho para oferecer.
Aliás, você acha que teve chances o suficiente para mostrar seu serviço na Seleção?
Olha, acho que procurei aproveitar da melhor forma possível todas as vezes que tive uma chance, como na Olimpíada (Pequim 2008, na qual ganhou a medalha de bronze), apesar de não ter saído o título. Nunca fiquei com a consciência pesada. Acho que tive passagens positivas na Seleção, trabalhando um bom tempo com o Parreira e agora com o Dunga. Para entrar na Seleção, você tem sempre de trabalhar muito, com seriedade, e esperar para ver o que acontece.
Você é um jogador com características muito peculiares para os dias de hoje. Não é fácil ver um meia-armador tradicional por aí. De modo geral, acha que a posição do camisa 10 pode estar em vias de extinção? Teme num futuro ter que jogar de ponta-de-lança ou de atacante?
(risos) Acho que não. Existe sempre um espaço, principalmente quando você está bem, em boa forma física e técnica. Essa posição jamais vai ficar em extinção. Cada jogador tem sempre sua chance. Hoje, quem quiser atuar nessa função tem de pensar rápido, dominando a bola e já sabendo o que precisa fazer na jogada. Você tem de ter um bom domínio e buscar os espaços criados pelos atacantes; perceber a movimentação deles, tanto para criar como para definir.
Em quem você se espelhou para desenvolver essa forma de jogar, como um autêntico armador? E hoje, quais os jogadores que você admira?
Assisti a muitos jogos desde pequeno, e há vários jogadores que admirei, como o Raí e o Ronaldo. Mas nunca usei um jogador como exemplo para minha carreira, para meu estilo de jogo. Sempre procurei desenvolver meu próprio estilo, treinando bastante e me aprimorando. Quanto a hoje, são vários bons jogadores, não só na minha posição, mas posso dizer que o Messi é quem vive realmente uma grande fase.