Não dá para dizer que tenha sido fácil para o Estudiantes de La Plata, campeão da Copa Libertadores, manter seu favoritismo nas semifinais da Copa do Mundo de Clubes da FIFA. Os argentinos não chegaram a sofrer pressão ou correr verdadeiro perigo diante do Pohang Steelers, da Coreia do Sul, mas não podem negar que a vitória por 2 a 1 em Abu Dhabi foi intensa e emocionante.
Os sul-americanos abriram vantagem nos acréscimos do primeiro tempo e fizeram 2 a 0 logo no início do segundo – em ambas ocasiões com Leandro Benitez. Mas o que realmente deu o tom do jogo na segunda parte foram os cartões vermelhos para o Pohang Steelers: já com um jogador a menos, o time sul-coreano conseguiu descontar por meio do brasileiro Denílson, que marcou seu terceiro gol em dois jogos.
O problema foi que logo em seguida o campeão asiático teve mais dois atletas expulsos, o último deles o goleiro Hwa Yong. Como o técnico Sérgio Farias já havia feito as três substituições, a situação era calamitosa para o Pohang: tinha oito jogadores contra 11 e contava com seu artilheiro Denílson debaixo das traves. Mesmo assim, o time foi valente, se segurou e acabou recebendo a derrota por 2 a 1 como algo a ser comemorado.
O Estudiantes aguarda agora a segunda semifinal entre o favorito Barcelona e o Atlante, do México, que nas quartas-de-final derrotou o Auckland City da Nova Zelândia. Os dois se enfrentam nesta quarta-feira, às 20h locais (14h de Brasília). Já o Pohang Steelers, desfalcado pelas expulsões, disputa o terceiro lugar no sábado, dia 19, às 17h locais (11h de Brasília).
Questão de tempo
A condição de favorito e o incentivo da numerosa (e barulhenta) torcida que cruzou o Atlântico para apoiar a equipe em Abu Dhabi parecem ter inspirado o Estudiante de La Plata nos primeiros minutos. Organizados por seu capitão Juan Sebastián Verón, os argentinos dominaram as ações e, logo aos seis minutos, estiveram muito perto de marcar, quando Braña chutou de fora da área e, depois do rebote do goleiro Hwa Yong, o centroavante Boselli, de costas para o gol, acertou uma puxada na trave. Dentro da pequena área, Benitez ficou com outro rebote e chutou por cima do gol.
A impressão, cada vez mais, era de que se tratava de uma questão de tempo para que o Estudiantes marcasse: nos primeiros 20 minutos, Leandro Benitez e Mauro Boselli tiveram cada um mais uma boa chance. Foi só a partir dos 25 que o Pohang Steelers encontrou uma maneira de incomodar o gol de Damián Albil: chutando de longe; principalmente nas faltas cobradas pelo meia-atacante Kim Jae Sung.

Embora os argentinos continuassem no comando – tiveram 55% de posse de bola na primeira parte -, ao menos os sul-coreanos conseguiram se utilizar desse recurso para trazer um pouco de equilíbrio e obrigar os sul-americanos a ter um pouco mais de cautela. Nos últimos 15 minutos, a situação foi de autêntico equilíbrio entre as duas partes. Ironicamente, foi então que os argentinos conseguiram chegar ao 1 a 0 – e justo da maneira como o Pohang Steelers vinha levando perigo. Quarenta e sete minutos, último lance da primeira etapa: numa cobrança de falta de muito longe, do lado direito da intermediária, Leandro Benitez colocou a bola no miolo da área com a perna esquerda. Boselli tentou desviar de cabeça, mas não alcançou a bola. Resultado: o goleiro Hwa Yong ficou vendido e assistiu à bola quicar na pequena área e entrar mansa no canto direito.
Gol de goleiro vale dois?
Ao técnico brasileiro do Pohang Steelers, Sérgio Farias, cabe o mérito de ter colocado sua equipe para frente, na tentativa de um empate. O primeiro tempo, afinal, chegara a um ponto em que os sul-coreanos encaravam os campeões da Libertadores de igual para igual. Não era absurdo arriscar e buscar o gol de empate.
O problema foi que, com apenas oito minutos de jogo na segunda parte, o plano do Steelers foi por água abaixo. De novo graças a Leandro Benitez. Após uma troca de passes no meio-campo, La Brujita Verón acertou um passe dentro da área para Enzo Pérez. A zaga sul-coreana vacilou e o goleiro Hwa Yong chegou tarde. Pérez , então, o encobriu e, embora a bola não tenha ido na direção desejada – o gol – acabou sobrando bem nos pés de Benitez. Dentro da pequena área, o argentino teve calma para tocar para o gol aberto e praticamente definir a partida.
Dizemos “praticamente” porque o jogo se definiu de fato um pouco depois, aos 15 do segundo tempo, quando Jae Won cometeu falta para impedir um contra-ataque do Estudiantes e levou seu segundo cartão amarelo. Se o Steelers já tinha dificuldade de se aproximar da área argentina em igualdade numérica, com 11 contra 10 a situação ficou insustentável. A equipe argentina passou a fazer aquilo que mais sabe e de que mais gosta: trocar passes no meio-campo e ditar o ritmo da partida. Teve até grito de “olé” por parte da torcida presente no Mohammed Bin Zayed, já certa de que uma virada só chegaria por intervenção divina.
Divina ou, no mínimo, de Denílson. O brasileiro, autor dos dois gols que salvaram o Pohang Steelers nas quartas-de-final e deram a virada por 2 a 1 sobre o TP Mazembe, entrou em cena outra vez. Aos 26 minutos, o camisa 10 devolveu a esperança aos sul-coreanos ao aproveitar uma bola espirrada pela zaga do Pincha: de perna esquerda, marcou seu terceiro gol no Mundial e poderia ter colocado fogo no jogo. Poderia, porque logo na saída de bola o meia-atacante Jae Sung tratou de complicar as coisas novamente: cometeu uma falta dura em Verón e levou seu segundo amarelo. O Pohang agora tinha nove homens em campo.
Achou complicação demais para o lado dos sul-coreanos? Pois aos 33 a coisa ficou mais dramática: o goleiro Hwa Yong precisou sair da área desesperado para impedir que Maxi Núñez saísse na cara do gol. A falta atabalhoada rendeu ao camisa 1, adivinhe? Mais um vermelho. Pior: o técnico Sérgio Farias já havia feito as três substituições. O brasileiro Denílson, então, diante da dificuldade para se tornar um herói marcando gols, foi parar debaixo de suas próprias traves. O camisa 10 vestiu as luvas, conseguiu uma camisa de goleiro emprestada do companheiro expulso e eis que o mundo via o artilheiro da competição executando a função inversa à sua.
As qualidades do centroavante brasileiro como goleiro não tiveram muita ocasião para serem testadas, mas ao menos um atributo importante se mostrou satisfatório: a sorte. Aos 41, Clemente Rodríguez entrou sozinho na área sul-coreana e, de esquerda, bateu na saída de Denílson. A bola foi direto na trave e voltou mansa para as mãos do artilheiro-goleiro. Foi a última grande chance do jogo e mais uma ocasião para o brasileiro ser aplaudido.
A história do jogo foi essa, não há dúvida. Mas o resultado que fica é o 2 a 1 e o Estudiantes animado para seu desafio contra o Barça ou o Atlante no sábado.
Fonte: Fifa.com